Dicas de portugues

Figuras de estilo
Postado por Sérgio Nogueira em 04 de agosto de 2010 às 09:37

FIGURA é um desvio linguístico. É o afastamento do valor linguístico normalmente aceito; assume, assim, um novo aspecto para um fim expressivo.
As figuras podem ser sintáticas ou semânticas.

A) Figuras sintáticas (continuação):

11. Anáfora – é a repetição de um elemento no início de cada frase: “Tudo é silêncio, tudo calma, tudo mudez” (Olavo Bilac); “Terra da castanha, terra da borracha, terra de beribá, bacuri, sapoti” (Manuel Bandeira); “Talvez cruze a pena e beba, talvez corte figurinhas, talvez fume piteira, talvez ria, talvez minta” (Carlos Drummond de Andrade);

12. Paralelismo – é a sequência de construções simétricas: “Compra, vende, aluga, financia” (=todos são verbos); “Compra, venda, aluguel, financiamento” (=todos são substantivos);
a) Paralelismo sintático (apresenta a mesma estrutura sintática):
“Os vivos são pó levantado, os mortos são pó caído; os vivos pó que anda, os mortos pó que jaz” (Padre Vieira); “Que calmo o céu! Que verde o mar!” (Olavo Bilac);
b) Paralelismo antitético (apresenta, além do paralelismo, uma
oposição): “…para tão longo amor tão curta vida” (Camões); “Longas são as estradas da Galileia e curta a piedade dos homens” (Eça de Queirós);

13. Quiasmo – é o paralelismo em que os elementos da segunda construção estão em ordem contrária aos da primeira. É uma inversão sob a forma de xis: “Vinhas fatigada e triste. Triste e fatigado eu vinha” (Olavo Bilac); “Aurélia sentia-se vingada, humilhado sentia-se Fernando” (José de Alencar); “No meio do caminho tinha uma pedra / Tinha uma pedra no meio do caminho” (Carlos Drummond de Andrade); “Que eu me liberte das ânsias / De ansiedades me liberte” (Cruz e Souza); “Prolixo no falar, em respirar sucinto”; “Vagaroso no fazer, no reclamar ligeiro”; “Já não pode fumar, cuspir já não pode”;

B) Figuras semânticas:

1. Metáfora – é o emprego de uma palavra fora do seu
significado básico por efeito de uma semelhança. Resulta, portanto, de uma comparação em que os elementos comparativos não aparecem: “Esta senhora é uma santa” (=é boa como uma santa); “No dia seguinte com o brotar da aurora” (Mário de Andrade) (=a aurora parece que brota; a aurora nasce como brota uma flor); “…morrer…quando este mundo é um paraíso…” (Castro Alves) (=o mundo é como se fosse um paraíso);

2. Comparação ou Símile – consiste no confronto das qualidades ações dos seres, com a presença dos elementos comparativos: “Respira a alma inocência como perfumes a flor” (Casimiro de Abreu); “A via Láctea se desenrolava como um jorro de lágrimas ardentes” (Olavo Bilac); “Ver minh’alma adejar pelo infinito, qual branca vela n’amplidão dos mares” (Castro Alves); “Iracema (…) que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna” (José de Alencar);

3. Prosopopeia ou Personificação – consiste na atribuição de qualidades, ações e atitudes humanas a seres não humanos: “A lua olhava com inveja o casal de namorados”; “Chorava a flor e gemia, branca, branca de terror”; “As ondas beijavam as areias da praia”; “Poderíamos, no ermo, sentir os primeiros passos da noite” (Augusto Frederico Schimidt);
4. Hipérbole – consiste no exagero de uma ideia e assim conseguir maior expressividade para enfatizar determinada situação: “Já te disse mil vezes”; “Fez tudo num piscar de olhos”; “Vai explodir de tanto comer”; “Rios te correrão dos olhos se chorares”; “Roma inteira nadava no sangue de seus filhos”; “Teus ombros suportam o mundo” (Carlos Drummond de Andrade);

5. Catacrese – é um tipo de metáfora ocasionada por:
a) falta de uma palavra específica: “pé da mesa”; “boca do
estômago”; “céu da boca”; “orelha do livro”; “dente de alho”; “barriga ou batata da perna”; “olho da agulha”; “De uma cruz ao longe os braços, vejo abrirem-se” (Castro Alves);
b) esquecimento etimológico (=queda do sentido original da
palavra): salário (de sal), secretária (de secreto), sabatinar (de sábado), tratante (de tratar), famigerado (de fama), marginal (de margem), rival (de rio);

6. Sinestesia – consiste na mistura de sensações: “Ouviu palavras amargas da mãe” (audição e gustação); “À distância as vozes macias das meninas politonavam” (Manuel Bandeira – audição e tato); “A cor cantava-me nos olhos…” (visão e audição); “É uma sombra verde, macia e vã” (visão e tato); “Aroma, cor e som das ladainhas” (Cruz e Souza – olfato, visão e audição);

7. Eufemismo – consiste no emprego de uma expressão para suavizar ideia desagradável, chocante ou grosseira: “Entregou a alma ao Criador” (morreu); “Levamos-te ao teu último endereço” (túmulo, cemitério); “Era incapaz de apropriar-se do alheio” (roubar); “Ele restituiu tudo que comera no jantar” (vomitou); “Só dizia inverdades” (mentia);”Quando a indesejada das gentes (= a morte) chegar” (Manuel Bandeira).

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